sábado, 14 de octubre de 2017




Escribir



Perecer
Para ser
Reconocido
Como si tuviese
Algun sentido
Escribir.

Para qué exercer
Un difícil oficio
Que nadie más
quiere ver y entender?

Para encontrar el ser
fiel, dormido
e entumecido
Dentro de otro ser.

O talvez atender
el eterno dolor o
placer
de encontrar sentido
en vivir.

Para ser visible,
Para ser risible.

Buenos Aires, 14/10/17

martes, 7 de marzo de 2017


Como um Coração

Como um coração.

Rasgo e degluto,
Corrompo e destroço
Em pequenos pedaços
E porções.

E partilho
Alguns sentimentos,
Algumas coagulaçōes.

Com gula digiro
E dirijo coágulos
Que alguma vez
Foram nutrientes e
Que entre os meus dentes
Encontraram um fim.

Com um coração partido
E partilhado enfim,
Aquele mundo passou a um
Silêncio sepultado
Dentro de mim.

Anseio por um coração alheio,
outro que, como aquele,
Seja comível e
Preencha um oco em comoção.

E seja músculo,
Como um coração.
.

Buenos Aires, 07/03/17
Padre

Como un árbol sin retoños
Por el que no pasa ni el agua,
Pasa el tiempo
Con un ademán frágil.

Su tronco aunque fuerte
Se curva ante la inevitabilidad:
El tiempo le carcome a diario
Y por fuera no se le nota tanto.

Como agua sin retorno,
desde la inestabilidad
De un único cauce,
De sabor unico,
Pleno de saberes y pleitos,
Así lo veo domar
El tiempo indomable,
Que ya le dobló los dones más robustos.

Ya siento sus miedos,
No de la muerte, pero de los desafíos
Que le falta cumplir solo
Con lo que le queda
En vida.

Hay mucha filosofía que explica
La fragilidad, la fortaleza,
La lenta indominacia del cuerpo,
El rápido avance hacia el inevitable borde.

No hay nada que explique
Un dolor de hijo ante
La fragilidad, la indominacia y el avance
De un padre.

Habrá más agua para retoños?
Si sabemos donde encontrarla.

Buenos Aires, 06/02/17

Fugas

Eu te busco
Com as portas dos dedos.
Que correm como sedas,
Que se arrasam como medos.

E abro com eles as impossibilidades
De um tempo de novos caminhos.
Que se abrem como outros
Caminhos.

Mas te seguirei buscando
Incansavelmente.

Porque quem se cansa das buscas
É incapaz de entender as fugas.


Buenos Aires, 14/01/17
Nada

Abraços
Do tamanho do mundo.
Braços
Como de um tronco.
Beijos
Como de fumaça e vento.
Verbos
Como de um silêncio metálico.
Viços
Como de uma feiura ingrata.

Tempo
Como uma cor furtiva.
Espaço
Como o calor do cobre.
Escolhas
Como uma dor que não se precisa.
Luz
Como o suor de um coito.
Escuro
Como a adoração da morte.
Porte
Como da própria vida.

Palavras
Como mil arestas
De uma mesma tormenta.

Exatamente
Como o nada.

Buenos Aires, 21/11/16

sábado, 12 de noviembre de 2016


Nada a Dizer

Tudo que tenho a dizer
Já foi dito.
Não existe poema
Inaudito,
Não existe palavra que ecoe
Por séculos e que ainda
Tenha alguma coisa a dizer.

Sem perceber
Disso já disse
Heráclito ou Aristófanes,
Aristóteles ou Kavafis,
Apenas para citar gregos.

O que tenho a dizer já ocorreu
Há milhares de anos
A milhares de pessoas e
Seus sentimentos.

O que tenho a dizer
São sedimentos,
Não dizem muito,
Talvez nada,
E ecoará como
Um zumbido de um único grão.

O que tenho a dizer
Não explorará,
Não regenerará,
Não reverberará
Depois da minha morte.

O que tenho a dizer
Se perde num grito
Que não foi,
Nem precisa necessariamente soar
No infinito.

O que tenho a dizer
A ninguém interessa
Mas se me calo,
Ouço o oco do aço
O cabaço, o osso,
Se não ouso falar.

E se me calo,
Indefectivelmente resvalo
Nas sombras das palavras.

E entendo tudo o que em mim
Nunca pode existir.

                                                                                                      Buenos Aires, 14/10/16
Mirando al mar

Mirando al mar veo
Un cielo y el alma,
Un sueño y un ancla,
Un peso de agua.

Mirando al mar,
Me encuentro lejos.
Vuelo hacia mi mar percibido,
A su niebla salina
De mar conocido.

Calla la noche
En la que me callo con la noche y
Solo suena mi sueño.

Caigo con la noche y vuelvo
Y todo se calma.
Solo me enseña el ensueño

De mirar el mar
Que fue
y se va,
Que va y vuelve,
Un ser que allí está.

Que ya no está.

Buenos Aires, 13/09/16

Poema involuntário
 
Livre
Do peso da tarde
Ou da obrigação do dia
Em que a luz se refaz.

Refúgio em palavras,
Involuntárias como num poema
Inútil.

Que encontra vôo no eco
E roça o ar frágil e arreganha
A noite.

Sentado e sem sentido
Sendo eu mesmo aonde
Não posso ser.

E vejo escadas que rolam
Num shopping.
Pessoas que rolam
Num shopping.
Nuvens que rolam
Num sonho
E tudo isso invade.

E já é noite e
Não se sabe.

E não se conhece
O sabor
Pois já é tarde.

E eu ali, só,
Como um único
Soco no olho.

                                                                                            Rio de Janeiro, 28/09/16